terça-feira, 3 de novembro de 2026

Verity (2026)

poster do filme verity 2026


6.5/ 10
Verity (2026)
Vale a pena ver? Sim. Se não criares grandes expectativas! 
Titulo em Português: Verity
Realizador: Michael Showalter
Atores: Anne Hathaway, Dakota Johnson, Josh Hartnett
Duração: 1h 57m
Ano: 2026
Género: Drama/Suspense
Classificação: M/14

Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é uma escritora jovem e talentosa mas luta para ter o devido reconhecimento. Um dia, recebe uma proposta inesperada: terminar a coleção de livros de Verity Crawford (Anne Hathaway), uma escritora de enorme sucesso que ficou incapacitada após um acidente.

Para cumprir a tarefa, Lowen muda-se temporariamente para a luxuosa residência de Verity, onde vive também o marido, Jeremy (Josh Hartnett).

De forma a conseguir entrar na personagem, Lowen tem acesso a todas as notas, manuscritos e informações deixadas pela escritora mas também encontra uma biografia assustadora, com revelações impressionantes.

Aquilo que inicialmente parecia ser apenas uma oportunidade profissional transforma-se numa experiência inquietante, onde começam a surgir dúvidas sobre a verdadeira personalidade de Verity, os acontecimentos do passado e as intenções de Jeremy.

Afinal, quem está a dizer a verdade?

O grande trunfo de Verity é precisamente a sua história. Temos uma escritora misteriosa, uma mulher aparentemente indefesa, um marido demasiado encantador e uma casa isolada que parece esconder muito mais do que aquilo que revela.

É uma combinação perfeita para um thriller psicológico recheado de manipulação, tensão e desconfiança. E durante uma boa parte do filme, a fórmula funciona.

O problema maior está no argumento.

À medida que a história avança, as reviravoltas começam a acumular-se e aquilo que deveria ser um jogo inteligente de manipulação acaba por se tornar excessivamente complicado.

É daqueles filmes em que desconfiamos de toda a gente, mas acabamos por desconfiar também do próprio argumento!

Gostei: Anne Hathaway é provavelmente o elemento mais interessante de toda a produção. A sua personagem consegue transmitir inquietação mesmo quando está praticamente imóvel. Existe qualquer coisa de desconfortável na forma como Verity observa os acontecimentos, deixando o espectador constantemente a questionar aquilo que está realmente a acontecer.

Não gostei: Dakota Johnson nem sempre consegue transmitir a intensidade necessária. Josh Hartnett também tem dificuldades em dar profundidade a uma personagem que deveria manter-nos permanentemente desconfiados.

Pontuação: 6.5/10

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Criminal (2016)

poster do filme criminal com kevin costner


6.0/ 10
Criminal (2016)
Vale a pena ver? Sim. Nem que seja para ver Kevin Costner num papel diferente do que é costume! 
Titulo em Português: Criminoso.
Realizador: Ariel Vromen
Atores: Kevin Costner, Ryan Reynolds, Gal Gadot, Gary Oldman, Tommy Lee Jones
Duração: 1h 53m
Ano: 2016
Género: Ação/Ficção Cientifica
Classificação: M/16

O agente da CIA Bill Pope (Ryan Reynolds) é morto no meio de uma missão em Londres enquanto tentava proteger um hacker conhecido como "O Holandês" (The Dutchman). O hacker desenvolveu um programa capaz de invadir o arsenal de mísseis nucleares dos EUA. Como Pope era o único que sabia a localização do esconderijo do hacker e do dinheiro necessário para salvar a operação, a CIA precisa de uma solução desesperada.
 
Para recuperar essa informação, o chefe da CIA, Quaker Wells (Gary Oldman), recorre ao Dr. Franks (Tommy Lee Jones), um neurocientista que desenvolveu uma técnica experimental de transferência de memórias e habilidades cerebrais.

Uma das ideias mais interessantes de Criminal é que a identidade humana não depende apenas das memórias, mas também das emoções, das relações e das escolhas que fazemos.

Jerico começa como um homem violento, incapaz de demonstrar empatia, mas a influência das memórias de Bill Pope permite-lhe desenvolver sentimentos e estabelecer ligações com outras pessoas. O filme sugere, assim, que mesmo alguém com um passado difícil pode revelar uma dimensão humana inesperada.
O filme conta com nomes de alto nível no cinema, como Gary Oldman, Tommy Lee Jones, Gal Gadot e Ryan Reynolds, o que garante certo apelo técnico às cenas.

Gostei: Não vou negar. Costner nunca foi um ator que eu gostasse mas neste filme, ele entrega uma performance dedicada, interpretando com sucesso a transição de um sociopata embrutecido, para alguém que subitamente começa a sentir empatia, sentimentos familiares e remorso pela primeira vez.

Não gostei: Temos um filme de ação que entretém, com um conceito promissor e um protagonista interessante, mas que não aproveita plenamente o seu potencial dramático e filosófico. A história torna-se previsível em alguns momentos e a ação acaba por dominar as questões mais profundas que o argumento poderia explorar.

Pontuação: 6/10

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Mojave (2015)

poster do filme mojave com Oscar Isaac, Garrett Hedlund


6.0/ 10
Mojave (2015)
Vale a pena ver? Sim, se não criares grandes espectativas. 
Titulo em Português: Mojave.
Realizador: William Monahan
Atores: Oscar Isaac, Garrett Hedlund, Walton Goggins, Mark Wahlberg
Duração: 1h 33m
Ano: 2015
Género: Drama/Mistério
Classificação: R

 

Thomas é um realizador de cinema de Hollywood muito bem-sucedido, mas deprimido e em crise existencial. Para fugir da sua vida e quem sabe, encontrar inspiração, ele decide pegar no carro e viajar sozinho para o deserto de Mojave.

Do nada, surge Jack, um homem misterioso, inteligente e muito perigoso. Os dois começam uma conversa estranha em volta da fogueira, que rapidamente passa a pancadaria. Thomas consegue escapar mas no meio da confusão, acaba por matar acidentalmente um polícia local, que ele pensava ser Jack.

Thomas regressa a Los Angeles e tenta fingir que nada aconteceu, retomando a sua vida de luxo e vícios. No entanto, Jack descobre a sua identidade, segue-o até à cidade e começa a perseguir e a chantagear Thomas, ameaçando revelar tudo o que aconteceu no deserto, num jogo psicológico de gato e rato.

Gostei: Do desempenho de Oscar Isaac que consegue trazer carisma e uma energia magnética ao vilão Jack.

A cinematografia e o forte contraste visual entre o deserto e Los Angeles.

Não gostei: Apesar de ser um thriller psicológico, o filme falhou em criar verdadeiro suspense ou empatia pelas personagens. Quando vemos o que Jack é capaz de fazer, é impossível nutrir simpatia por ele mas o "bonzinho" da história, não é tão bom quanto isso e não consegue fazer como que se torça pela sua vitória.

Pontuação: 6/10

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Séries da minha vida: Lucifer

 

poster da serie lucifer

A série "Lucifer" (2016–2021) foi uma das produções mais peculiares da ficção televisiva recente: começou como um drama policial na FOX mas foi salva pelos fãs e transformou-se num fenómeno de audiência global na Netflix.

Confesso que não conhecia o Tom Ellis mas rapidamente fiquei presa à personagem. O seu Lucifer Morningstar é simultaneamente egocêntrico, divertido e vulnerável. A sua relação com Deus é muito conflituosa e não deixa de ser aquele “safado” que tem muito charme e ainda por cima, sabe cantar.

A história é simples: farto de comandar o inferno e torturar as pessoas por toda a eternidade, Lucifer decide tirar umas férias. Vem para a Terra, mais precisamente para Los Angeles, onde abre uma discoteca. Com ele vem o irmão Amenadiel e a sua fiel escudeira Mazikeen. Quando conhece a detetive Chloe, apaixona-se por ela mas os velhos hábitos de bad boy, tornam a relação difícil.

Durante as primeiras temporadas, a série apoia-se fortemente no formato "caso da semana". Havia sempre um caso para resolver e Lucifer ajudava a detetive Chloe a solucioná-los.

A mudança para a Netflix na 4ª temporada trouxe um ritmo mais dinâmico, episódios visualmente mais cuidados e a liberdade de explorar temas ligeiramente mais maduros sem as restrições da televisão aberta. A 4ª e a 5ª temporada representam o auge narrativo da série, introduzindo personagens marcantes como Eva (Inbar Lavi) e Deus (interpretado brilhantemente por Dennis Haysbert).

O final de "Lucifer" e a sua 6ª temporada encerram a jornada do Diabo em Los Angeles com uma viragem profundamente temática, focando-se na aceitação do destino. O maior crescimento de Lucifer não está em tornar-se uma divindade omnipotente, mas em compreender a sua verdadeira vocação. Ele percebe que o Inferno não precisa de um carcereiro para punir os pecadores, mas sim de um terapeuta para os ajudar a superar as suas culpas e ascender ao Céu.

Pontuação: 10/10

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Minions & Monsters (2026)

poster do filme minions & monsters 2026


6.5/ 10
Minions & Monsters 2026 (2026)
Vale a pena ver? Sim, se gostares deste tipo de comédia
Titulo em Português: Mínimos e Monstros
Realizador: Pierre Coffin
Atores: Duração: 1h 30m
Ano: 2026
Género: comédia/animação
Classificação: M/6

James e Henry são dois Minions que acabam por ir parar a Hollywood e tornam-se estrelas do cinema mudo. O que não deixa de ser uma ótima ideia porque afinal, eles passam metade da existência a falar uma língua que ninguém percebe.

Não precisam de diálogos. Precisam de expressões exageradas, quedas, perseguições, pancadaria e uma enorme quantidade de caos. Ou seja: descobriram o seu talento.

O filme aproveita esta premissa para brincar com vários momentos e figuras da história do cinema, incluindo referências ao slapstick de Buster Keaton, Harold Lloyd e Modern Times. 

E é precisamente aqui que Minions e Monstros consegue fazer algo que eu não esperava: ser mais engraçado para um adulto cinéfilo do que para uma criança. 

Claro que há um problema. Eles continuam a ser os Minions.

Portanto, se nunca achaste particularmente divertido ver dezenas de criaturas amarelas a tropeçarem umas nas outras durante hora e meia, este filme dificilmente vai converter-te.

A fórmula continua lá: slapstick, gritaria, bananas, perseguições e personagens que parecem ter tomado cinco cafés antes de entrarem em cena.

Mas há uma diferença importante: desta vez existe uma ideia por trás da confusão.

James não quer simplesmente encontrar um vilão para servir. Quer contar histórias. E é aí que o filme ganha um pequeno coração.

Por baixo das piadas existe uma história sobre criatividade, amizade e sobre não ter necessariamente de seguir o grupo só porque toda a gente está a fazer a mesma coisa.

E depois chegam os monstros... E aqui o filme começa a perder alguma da sua magia.

A primeira metade, passada em Hollywood, é claramente a mais divertida. Quando entram Goomi, Dort e toda a componente de monstros, magia e ameaça mundial, a história aproxima-se daquele território mais convencional do cinema de animação: temos de salvar o mundo porque aparentemente destruir o mundo é obrigatório no terceiro ato.

É divertido? É. É tão original como a parte de Hollywood? Nem por isso.

É quase como se o filme tivesse duas personalidades. Uma quer falar de cinema. A outra quer simplesmente destruir uma cidade. E, sinceramente, eu teria ficado mais tempo com a primeira.

Gostei: a homenagem ao cinema mudo.

Não gostei: a aventura dos monstros, que não está à altura da excelente ideia inicial.

Pontuação: 6.5/10